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Minha cidade não é a mesma que a cidade do prefeito Bento Lobo

Minha cidade
quero-a estática
se possível
voltando ao passado
com as palmeiras
na avenida Ponce
e o Armazém Mercado aberto
onde eu ia roubar
azeitonas pretas,
leite condensado
e Sonho de Valsa
A cidade do prefeito
transforma-se diária
para se fazer bonita (?)
e se esconde e esconde
as favelas, os grilos
os esgotos a céu aberto
Minha cidade...
As igrejas seriam sempre
de barro, barrocas
quando, após a missa
aos domingos
as pessoas saiam para passear
no Jardim Alencastro
A cidade do prefeito
é veloz, o asfalto preto
encobre os paralelepípedos
e as ruas de lajotas
em nome da modernidade
e se constrói o elevado
de Maria Taquara
Minha cidade
já teve mangueiras, pitombas
cajus, cajazinhos, goiabas
tudo de tudo tão gostoso
...e aos montes
A cidade do prefeito
se ornamenta com plantas
trazidas da Índia
de Goiás e Rio Grande
Minha cidade
não é a mesma que a do prefeito
embora sejamos cuiabanos
e Cuiabá, trezentos anos
se modifica pelo tempo
Minha cidade
vai daqui ali...
Avenida Dom Bosco
Colégio dos Padres
Campo D’ourique
Mundéu...
Legendas que se perderam
ao sabor das mudanças
e o futuro no pretérito impôs
A cidade do prefeito
é um milhão de votos
um retrato na galeria
uma página de história
quem sabe, um nome de rua
no século futuro
Minha cidade
faz aniversário quieta
saudosista, serena
sem remorso de ser singela
A cidade do prefeito
oito de abril é fanfarra
desfile cívico-militar
e fogos de artifícios.
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