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Caeira

Uai, uá, aiuê! mais um!
Vai morrer mais um
Nessa pedra branca cal
Nessa vida alimentada a cal
Cal nosso de cada dia
Fins de nossos fins

Cal branco, branca poeira
Nuvem maléfica a fio
Deixa o pássaro sem pio
Deixa a vida sem mais um

Menos um, menos dois, menos três
Menos vida, menos sol, menos rio
Só, somente a cal a simplificar
Cal do demo, do anjo mau, capeta incorporado
Cal da peste braba, da fúria cega, moléstia malsã
Cal malfeitor, feitiço malfazejo derramado
Do santo graal
             Nas nossas veias
                     Desmanchando
Nossas entranhas
             Desbotando nosso sangue.


Poema realizado depois da leitura do romance Caiera, de Ricardo Gulherme Dicke, e publicado pela primeira vez em 25/08/1985 no suplemento Segundo Caderno, do jornal O Estado de Mato Grosso, mais tarde integra a antologia A nova Poesia de Mato Grosso, editada pela UFMT, em parceria com o jornal Fim de Semana.
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