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Nossa Senhora de Nossas Mães


Nossa Senhora de Nossas Mães
olhai por Dona Josefa
que toda vida me teve
sempre, com bons olhos
boa intenção e boa comida
Nossa Senhora de Nossas Mães
olhai por Eunice Aparecida
que é mãe e filha
só não sei ao momento
se é mais mãe ou mais filha
Nossa Senhora de Nossas Mães
olhai por todas as mães do mundo
pelas mães escondidas
nos gestos mais duros
Olhai assim, pela mãe
de Tereza, Ninha e Dôra
embora minhas irmãs
nossa mãe em nós
não e a mesma
Olhai também, pelo vosso amor
pela mãe de Cessa Lenine: Geni Slompo,
de José, Ziadir, Francisco
de Maria, Ana, Antônio
de Nhô, Raimundo, Júlio
de César, Carlos, Débora
de Cristina, Beni, Álvaro
de Ender, Sílvia e Jobim
de Patrícia, Elber, Adélia
de Henrique, Paulo, Marcos
de Aroldo, Marlene, Sabrina
de Rachel, Andrey, Adriana
de João, Dedé, Dóra
de Helena, Delma, Nádia
de Fátima, Lúcio, Roberto
de Élson, Márcio, Vânia
de Luiz, Rosana, Camila
de Edson, Gilvan, Mauro
de Marcelo, Oscar, Fernando
de Célio, Monte, Cruz
de Iris, Bruna, Malu
de Beca, Ângela, Junice
de Lira, Danilo, Lauro e
(__________________) espaço reservado para
o nome a quem se está lendo agora este poema
Dessa maneira
pelas mães de todos meus inimigos
próximos e amigos
Pelas mães esquecidas
pelas mães de filhos mortos
em águas de rios
guerras distantes
pelas mães de filhos
calcinados, leucêmicos
tuberculosos, aidéticos
Pelas mães de filhos loucos
que partiram em busca da graça
pelas mães de bons filhos
sentados sozinhos na praça
pelas mães de filhos sem pais
homens que partiram por força
da guerra, da fome
do êxodo rural
da falta de emprego
falta de força no coração
Pelas mães discriminadas
de filhos desgraçados
pelas mães de filhos abandonados
em orfanatos, calçadas...
pelas mães de filhos natimortos
Nossa Senhora de Nossas Mães
olhai por todas mulheres mães
mas, também, pedimos atenção
à mulher do ventre vazio
e nunca pode/rá ser mãe.

><>:O poema N. Sra. de Nossas Mães publicado pela primeira vez em 13/05/1979, dia de nascimento de meu filho Deline Passé e republicado em forma de cordel com o selo Edições Namarra, em 1981.


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