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Café do Ano Novo

Estou aqui. Bebi o café quente do ano novo,
Lembrei-me de pessoas e dum livro de poemas lidos
Quando queria ficar triste, mas alegre permaneci
Olhando para fora da janela do próprio tempo

Contar o tempo quando se vê no espelho do banheiro
Ao fazer barba de pelos brancos, é obrigação diária
Sem se exaltar, sem desespero, sem indignação vária

Estou aqui, neste mesmo recinto, que me verá
Quiçá, centenas de anos, procurando palavras
Nesta inglória luta com a linguagem materna
Entre o sentir e o papel em branco de poesia...

Este meu recinto, sinto, precisa de limpeza interna:
Menos egoísmo, mais compaixão e decisão na busca
Para superar o Pantanal desta minha humanidade.
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