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O Adivinhador de Gente

Pelo semblante triste
sabe-se que morre a alegria
e se descontenta com a vida
sem descontos calculados

Adivinha-se fácil pela face
o pensamento do homem na praça...
Este madrugou o sono
sonhos incompletos perseguem
Aquele ri como um rio
caudaloso ao encontro do mar

A mulher sustenta um filho
no ventre morno
A menina brinca, mas caça
um namorado na multidão

Vai nascer amanhã, segunda-feira
pode buscar a notícia nos jornais
dois gêmeos: um eterno
outro efêmero, eternamente efêmero

Um pai que perde o filho
outro não sabe quem gerou
Os dois conversam alto
no recinto fechado

O repórter escreve ficção
Ai!, um coração parou
neste exato momento
dentro de um elevador...
Assim é o adivinhador de gente
desde a gênese.

><>Ricardo Guilherme Dicke, no posfácio do livro "Sonho de Menino é Piraputanga no Anzol" escreve assim sobre o Adivinhador de Gente: "Melhor em sua vocação é 'O adivinhador de gente', o poeta social (já ia dizendo socialista) que quer “simplesmente justiça”. Mas às vezes o poeta político torna-se lírico ante a poesia em forma de pintura que se evoca do quadro do nosso grande pintor João Sebastião, como no poema 'A onça deJoão Sebastião', e o poeta de cimento e bar torna-se 'somente selva', em estado puro de verdadeiro mato-grossense, que é isso mesmo o que adivinhou o poeta: selva. Porque todos os verdadeiros poetas encontram o que procuram em sua adivinhação ou então não são poetas."

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